sábado, 14 de julho de 2012







Escuridão


Na noite

Ouço gritos

Gritos de pesar


Carregados pelo vento

Entregues por mensageiros mudos

Que se escondem ao chamar


Gritos da escuridão

Me chamando sem cessar

Ecoando em minha mente, como o canto da sereia


Sedutora e ambiciosa

Tomando de pouco em pouco
O que quer que tenha sobrado


A não ser aquilo que mais ambiciona

Meu negro coração

Meu humano e negro coração


A única coisa sobrevivente

O que ainda me impede de me entregar

O que ainda me impede de a deixar entrar


Meu negro coração

Que mesmo manchado e machucado

Continua batendo por alguém que não pode amar, pela vida que não pode viver


E por fim lutar

Tornando-me dividido

Incompleto


Nem bem

Nem mal

Nem luz

Nem trevas


Só o que você vê

Uma criatura de dois mundos

Criada pela escuridão, tocada pela luz

Humana e monstruosa


A criatura que ama sem saber amar

Que observa a vida sem participar

Criada pelas trevas

Salva pela luz de um amor destroçado


Por:
                 La Volpe

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