Escuridão
Na noite
Ouço gritos
Gritos de pesar
Carregados pelo vento
Entregues por mensageiros mudos
Que se escondem ao chamar
Gritos da escuridão
Me chamando sem cessar
Ecoando em minha mente, como o canto da sereia
Sedutora e ambiciosa
Tomando de pouco em pouco
O que quer que tenha sobrado
A não ser aquilo que mais ambiciona
Meu negro coração
Meu humano e negro coração
A única coisa sobrevivente
O que ainda me impede de me entregar
O que ainda me impede de a deixar entrar
Meu negro coração
Que mesmo manchado e machucado
Continua batendo por alguém que não pode amar, pela vida que não pode viver
E por fim lutar
Tornando-me dividido
Incompleto
Nem bem
Nem mal
Nem luz
Nem trevas
Só o que você vê
Uma criatura de dois mundos
Criada pela escuridão, tocada pela luz
Humana e monstruosa
A criatura que ama sem saber amar
Que observa a vida sem participar
Criada pelas trevas
Salva pela luz de um amor destroçado
Por:
La Volpe

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